A Reitoria da Universidade Federal do Rio Grande – FURG vem a público manifestar o seu apoio irrestrito à atividade organizada pelo curso de Artes Visuais que viralizou em redes sociais nesta semana. Ainda que a performance não estivesse formalmente registrada no Programa Acolhida Cidadã, os cursos têm plena autonomia para promover atividades em suas áreas de atuação, incluindo a recepção de calouros(as).
FURG se despede da professora aposentada Néa Maria Setúbal de Castro
FURG se despede da servidora aposentada Lúcia Marzinha Pacheco
Câmara do Rio Grande realiza sessão especial alusiva aos 50 anos do Hospital Universitário
Lamentamos e repudiamos os comentários preconceituosos e desrespeitosos ao campo das Artes Visuais e à FURG que foram proferidos nas redes sociais. Este episódio demonstra o quanto a sociedade brasileira ainda carece de uma compreensão mais acurada sobre a diversidade de manifestações artísticas e o conceito de civilidade, ambos apoiados no respeito e não em julgamentos morais distorcidos.
Dos processos civilizatórios a educação pela arte é sem dúvida um dos mais importantes contributos para a realidade brasileira. Na História da Arte, da antiguidade ao contemporâneo, se encontram infinitos exemplos a fim de fazer emergir as importantes contribuições aos sujeitos na compreensão de uma estética em que o corpo tem um papel político central. Negar-se a essas possibilidades é embrutecer-se, é voltar a barbárie, ou seja, é atirar-se em um movimento anti-civilizatório.
Os comentários depreciativos proferidos a uma performance artística realizados em nossa instituição revelam que há uma crise estrutural civilizatória, seja por desconhecimento/ignorância do que seja arte, ou por negar a ela o seu campo político, que se fundamenta num território estético de experiências corporais. Neste sentido, entendemos que um pacto por uma cidadania civilizatória precisa da arte como fundamento ético e estético, como força viva para barrar estratégias que capturam corpos como forma de opressão, repressão e disciplinamento.
À universidade, no Brasil e em todas as nações democraticamente constituídas, cabe o uso da arte como experimentação e produção de múltiplos saberes, pois a arte ilumina e possibilita a construção de pessoas/sujeitos críticos e participativos, um dos pilares da educação superior. Fora da arte (ou contra ela) não há processo civilizatório.
O exercício da autonomia universitária constitucional será sempre defendido pela FURG e o respeito às diferentes áreas de conhecimento é um premissa fundamental para esta defesa.