Recentemente, pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-graduação em Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PPGBAC), da FURG, realizaram a descoberta de uma nova espécie de microalgas microscópicas fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas aquáticos. A espécie de diatomácea, denominada Encyonema macieliarum, foi identificada em arroios nos municípios de Alegrete, Rosário do Sul e Quaraí, no sudoeste do Rio Grande do Sul.
Imef realiza mais uma edição do Seminários de Física
Aberta votação popular da 13ª edição do Prêmio Fundação BB de Tecnologia Social
Oceantec promove Workshop de integração do RS Talentos
Sobre a pesquisa
O estudo é resultado de uma colaboração internacional e contou com a participação das pesquisadoras Maria Gabrielle Rodrigues-Maciel e Ana Paula Tavares Costa, que concluíram seus doutorados no Programa PPGBAC. O trabalho tem, ainda, a participação da professora da FURG Fabiana Schneck e do pesquisador do Luxembourg Institute of Science and Technology (LIST), Carlos Eduardo Wetzel, de Luxemburgo, na Europa.
A pesquisa foi desenvolvida durante o doutorado de Maria Gabrielle, com orientação da professora Fabiana. Durante o período, a pesquisadora atuou em um estágio realizado no laboratório do professor Carlos Eduardo, no LIST. Durante o intercâmbio científico, foram aprofundadas análises morfológicas e ultraestruturais que permitiram confirmar que os organismos encontrados pertenciam a uma espécie até então desconhecida pela ciência.
Importância ecológica e científica
As diatomáceas são organismos unicelulares fotossintetizantes que vivem suspensas na coluna d’água ou aderidas a substratos submersos, sendo fundamentais para a produção primária dos ambientes aquáticos e amplamente utilizadas como bioindicadoras da qualidade da água. A nova espécie foi encontrada associada a arroios com águas de boa qualidade, pobres em nutrientes e com vazão relativamente estável, características cada vez mais raras no bioma Pampa.
De acordo com os autores do estudo, a descrição de uma nova espécie para a ciência demonstra o quanto ainda sabemos pouco sobre a biodiversidade microscópica do Pampa e reforça a necessidade de ampliar esforços de pesquisa e conservação nessa região. Embora o bioma Pampa ocupe cerca de 63% do território do Rio Grande do Sul, ele ainda enfrenta lacunas significativas no conhecimento científico.
Cooperação internacional e formação de pesquisadores
Além do avanço científico, o trabalho também evidencia a relevância da cooperação internacional e das políticas de fomento à formação acadêmica. O doutorado sanduíche, viabilizado por apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi essencial para o acesso a infraestrutura de ponta e para a troca de conhecimentos entre pesquisadores brasileiros e europeus.
Para a FURG e o PPGBAC, a publicação representa mais um resultado expressivo da atuação do programa na formação de recursos humanos qualificados e na produção de conhecimento científico com impacto internacional, especialmente voltado à compreensão e conservação dos ecossistemas aquáticos do sul do Brasil.