PIONEIRISMO

Nova espécie de microalga é descoberta em arroios do Pampa Gaúcho

Estudo é resultado de uma colaboração internacional entre FURG e instituto luxemburguês

Foto: Divulgação

Recentemente, pesquisadores vinculados ao Programa de Pós-graduação em Biologia de Ambientes Aquáticos Continentais (PPGBAC), da FURG, realizaram a descoberta de uma nova espécie de microalgas microscópicas fundamentais para o funcionamento dos ecossistemas aquáticos. A espécie de diatomácea, denominada Encyonema macieliarum, foi identificada em arroios nos municípios de Alegrete, Rosário do Sul e Quaraí, no sudoeste do Rio Grande do Sul.

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A descrição científica da nova espécie de microalga foi publicada na revista Diatom Research; o trabalho completo pode ser acessado clicando aqui.

Sobre a pesquisa

O estudo é resultado de uma colaboração internacional e contou com a participação das pesquisadoras Maria Gabrielle Rodrigues-Maciel e Ana Paula Tavares Costa, que concluíram seus doutorados no Programa PPGBAC. O trabalho tem, ainda, a participação da professora da FURG Fabiana Schneck e do pesquisador do Luxembourg Institute of Science and Technology (LIST), Carlos Eduardo Wetzel, de Luxemburgo, na Europa.

A pesquisa foi desenvolvida durante o doutorado de Maria Gabrielle, com orientação da professora Fabiana. Durante o período, a pesquisadora atuou em um estágio realizado no laboratório do professor Carlos Eduardo, no LIST. Durante o intercâmbio científico, foram aprofundadas análises morfológicas e ultraestruturais que permitiram confirmar que os organismos encontrados pertenciam a uma espécie até então desconhecida pela ciência.

Importância ecológica e científica

As diatomáceas são organismos unicelulares fotossintetizantes que vivem suspensas na coluna d’água ou aderidas a substratos submersos, sendo fundamentais para a produção primária dos ambientes aquáticos e amplamente utilizadas como bioindicadoras da qualidade da água. A nova espécie foi encontrada associada a arroios com águas de boa qualidade, pobres em nutrientes e com vazão relativamente estável, características cada vez mais raras no bioma Pampa.

De acordo com os autores do estudo, a descrição de uma nova espécie para a ciência demonstra o quanto ainda sabemos pouco sobre a biodiversidade microscópica do Pampa e reforça a necessidade de ampliar esforços de pesquisa e conservação nessa região. Embora o bioma Pampa ocupe cerca de 63% do território do Rio Grande do Sul, ele ainda enfrenta lacunas significativas no conhecimento científico.

Cooperação internacional e formação de pesquisadores

Além do avanço científico, o trabalho também evidencia a relevância da cooperação internacional e das políticas de fomento à formação acadêmica. O doutorado sanduíche, viabilizado por apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), foi essencial para o acesso a infraestrutura de ponta e para a troca de conhecimentos entre pesquisadores brasileiros e europeus.

Para a FURG e o PPGBAC, a publicação representa mais um resultado expressivo da atuação do programa na formação de recursos humanos qualificados e na produção de conhecimento científico com impacto internacional, especialmente voltado à compreensão e conservação dos ecossistemas aquáticos do sul do Brasil.