O projeto "Seguimos em Marcha: Educação, Aquilombamento e Soberania Digital" promoveu no sábado, 23, a roda de conversa "14 de maio... o dia seguinte", no Teatro Elisa Calvete do Centro de Artes e Esportes Unificados (CEU das Artes), no Bairro Rural. O encontro promoveu debate sobre os reflexos estruturais do pós-abolição e os desafios contemporâneos da luta antirracista na busca por equidade social. A atividade contou com colaboração e parceria do produtor cultural, diretor e realizador audiovisual Milton Puccinelli, fundador da Oluparum Filmes e bacharelando em História.
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Segundo os organizadores, a inserção de Puccinelli e de sua produtora "agregou valor estético e crítico ao debate, conectando a pesquisa histórica e a ancestralidade às linguagens cinematográficas e periféricas do extremo sul do país". Os organizadores também ressaltam a participação institucional do vereador Glauber no evento, no apoio do legislativo às políticas de ações afirmativas e de educação popular no município.
Para a coordenação do projeto, o sucesso da atividade reafirma o CEU das Artes como um legítimo território de aquilombamento e segurança intelectual, demonstrando a potência da universidade pública quando aliada aos movimentos sociais e à produção cultural autônoma.
Sobre o projeto
O projeto é realizado no CEU das Artes e estabelece um canal de diálogo entre o saber acadêmico e as demandas das periferias urbanas. É voltado à capacitação de estudantes, prioritariamente mulheres e mães inscritas no CadÚnico, para exames nacionais, processos seletivos e cidadania digital. A proposta pedagógica é baseada na epistemologia freireana e no letramento racial.
A iniciativa promove a inserção comunitária e o compromisso com a transformação social, pilares da extensão universitária na Universidade Federal do Rio Grande (FURG). A iniciativa tem coordenação geral da dra. Bilina Amaral Peres, responsável pela interlocução política e pela salvaguarda das diretrizes antirracistas do programa, e coordenação pedagógica do me. Gabriel Lopes, cuja atuação garante o rigor metodológico e a estruturação curricular do cursinho preparatório popular.
O projeto é realizado em parceria com a União de Negras e Negros pela Igualdade (Unegro) e articula-se a partir da cooperação intersetorial, recebendo respaldo estratégico do poder público local, viabilizado por meio das secretarias municipais de Educação (Smed), de Assistência Social e Direitos Humanos (SMASDH) e de Cultura e Economia Criativa (SMCec). Para a equipe envolvida, essa rede interinstitucional assegura não apenas o suporte logístico e estrutural do curso, mas também o acolhimento social e a infraestrutura do Espaço Curumim, que possibilita a permanência de mães e cuidadoras nas atividades formativas.