Em junho deste ano, o Hospital Universitário Dr. Miguel Riet Corrêa Jr. da Universidade Federal do Rio Grande (HU-Furg), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), adotou um novo procedimento com a confecção das primeiras órteses de termoplástico. O trabalho foi realizado pelas terapeutas ocupacionais da Unidade de Reabilitação, ligada à Gerência de Atenção à Saúde (GAS), que com as placas de termoplástico conseguem moldar o material, a baixas temperaturas, de acordo com a necessidade do paciente, auxiliando-o na recuperação. A órtese possui pequenos furos, permitindo a respiração do membro imobilizado.
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As duas primeiras órteses para mãos foram destinadas a uma criança recém-nascida, internada na UTI Neonatal, sendo que a indicação para este caso ocorreu após a avaliação da Terapia Ocupacional e a discussão com a Equipe Médica da unidade. As profissionais identificaram a necessidade devido à posição da mão, ou seja, dedos fechados, sem abrir facilmente e cotovelo dobrado, ocasionando o enrijecimento da musculatura. Essas alterações geram dor, desconforto, instabilidade de padrões ventilatórios e cardíacos, bem como podem originar deformidade nos ossos, músculos e tendões, associado ao desalinhamento de estruturas. De acordo com as terapeutas ocupacionais, Thais Rosa Costa e Jodéli Pommerehn, “estamos utilizando as órteses visando a funcionalidade das mãos da criança, pois, com elas vamos preservar a posição funcional que consiste na mão adequadamente alinhada ao punho e dedos em leve flexão, entre dez e trinta graus. O polegar requer cuidado especial, pois deve estar levemente afastado e flexionado, para garantir que os movimentos básicos de preensão sejam preservados”.
A placa de termoplástico tem memória ilimitada, podendo ser remoldada. “Neste caso, a órtese foi recortada em tamanho maior por duas razões: tratar-se de um recém-nascido que necessitará, em breve, de reajustes; e os materiais são reduzidos, devido ao alto custo de aquisição”, destacam as terapeutas. A confecção desse tipo de órtese ocorre por meio do aquecimento controlado do material em água e do molde no próprio membro do paciente. Antes da confecção e da colocação da órtese no paciente, as profissionais devem utilizar um manuseio específico, do Conceito Neuroevolutivo Bobath, que consiste na dinâmica recíproca de interação entre o bebê e o terapeuta para ativação adequada do sistema sensório-motor com influência direta na aquisição de habilidades. Uma das terapeutas envolvidas no processo, possui formação nesse Conceito, realizada na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD), em São Paulo, durante 35 dias, entre dezembro de 2018 e março de 2019. Após a modelagem, as terapeutas ocupacionais orientaram a equipe de Enfermagem para a continuidade do processo de uso da órtese, para que seja efetivo.
O HU-Furg possui uma quantidade limitada de material termoplástico e que será utilizado para moldar outras órteses, de acordo com a necessidade dos pacientes internados e a avaliação da equipe multiprofissional que realizar o atendimento. Vale destacar que o Hospital conta com quatro terapeutas ocupacionais, sendo duas no suporte à UTI Neonatal que possui 18 leitos: 10 de UTI, cinco de Intermediário e três do método Canguru. Todos os recém-nascidos são encaminhados, pela Equipe Médica, para a avaliação e possível intervenção da Terapia Ocupacional.
Sobre a Terapia Ocupacional no HU-Furg
O Serviço de Terapia Ocupacional é ligado à Unidade de Reabilitação da Gerência de Atenção à Saúde (GAS) e iniciou suas atividades em 02 de abril de 2018. O serviço realiza atendimento às UTIs Neonatal, Pediátrica e Geral e às unidades de internação da Pediatria, Clínicas Médica e Cirúrgica, Traumatologia, Maternidade e Serviço de Pronto Atendimento (SPA). A ação terapêutica ocupacional consiste no cuidado reabilitador, preventivo e paliativo, buscando favorecer o desempenho ocupacional das pessoas desde a concepção até a finitude da vida. Para isso, há a intervenção nas habilidades sensoriais, motoras, cognitivas e sociais.
Um exemplo, relatado pelas profissionais, é a intervenção precoce realizada com os recém-nascidos que estão internados na UTI Neonatal, “eles passam por diversas intervenções e têm contato com um ambiente que oferece inúmeras informações táteis, visuais e auditivas. E fica privado de estímulos vestibulares e proprioceptivos controlados que tinha dentro do útero materno, o que compromete o desempenho ocupacional”. Assim, o recém-nascido prematuro reage de forma estressada e desorganizada, porque ainda não tem o sistema neurológico maturado para responder às novas informações. Dessa forma, a Terapia Ocupacional atua de forma precoce nos aspectos sensoriais e na organização neurocomportamental, promovendo a regulação, ou seja, a resposta adequada ao toque dos pais, o alcance do sono profundo, a diminuição do estresse (inclusive do sistema autonômico), a melhoria na absorção de nutrientes, potencializando a ação medicamentosa, e ainda, favorecendo o desenvolvimento neuropsicomotor e sensorial.