Nesta última quinta-feira, 30, uma agenda internacional voltada à cooperação marítima e à sustentabilidade dos oceanos trouxe ao Rio Grande do Sul uma comitiva da Embaixada Real da Noruega, liderada pelo embaixador Kjetil Elsebutangen. A iniciativa, proposta pelo Ministério dos Portos e Aeroportos, foi realizada no âmbito da parceria internacional entre o Brasil e o país escandinavo, e, considerando a relevância do tema, os representantes noruegueses aproveitaram para conhecer a FURG e debater parcerias, uma vez que a instituição é uma referência nacional em ecossistemas costeiros e oceânicos.
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Durante o encontro, a reitora Suzane Gonçalves e o vice-reitor, Ednei Primel, puderam conversar sobre a história da instituição, sua expertise em assuntos do mar e, também, apresentar algumas iniciativas institucionais focadas em resiliência climática, sustentabilidade, inovação tecnológica e inserção social, governamental e, ainda, no setor produtivo.
De acordo com Suzane, a FURG possui em sua gênese uma relação intrínseca com os saberes costeiros e oceânicos. “Esse conceito foi o que orientou a nossa forma de pensar, pesquisar e estruturar a vocação de todos os nossos cursos nas diferentes áreas do conhecimento. Nós trabalhamos em conjunto com todas as unidades acadêmicas e administrativas para contribuir com o desenvolvimento social sustentável”, destacou a reitora.
Recentemente, a FURG, em parceria com outros setores do município do Rio Grande, vem trabalhando para a consolidação do Fórum da Economia Azul; um espaço voltado para o debate sobre a relação da cidade com as práticas econômicas ligadas ao mar, por meio do fomento à produção do conhecimento técnico e ao desenvolvimento sustentável.
Para o embaixador Elsebutangen, a aproximação da Noruega com universidades brasileiras é de extrema importância dentro da relação entre o país e o Brasil. “Sempre que viajamos tentamos incluir visitas a universidades, porque ações de cooperação com foco em pesquisa junto à educação superior é um dos pilares dessa parceria internacional que temos”, explica e completa: “A Noruega é um país que cuida muito dos oceanos. E somos um dos países membros fundadores do painel de alto nível para uma economia oceânica sustentável. Recentemente, o Brasil ingressou nesse painel, e, agora, faz parte dessa rede por meio de chefes de estado e governo para a troca de experiências na área”.
Ainda segundo Elsebutangen, com a entrada do Brasil neste painel, chega também o compromisso de cuidar das áreas oceânicas de modo totalmente sustentável. “Por isso temos um engajamento com atividades de pesquisa para uso das áreas marítimas e oceânicas. É muito bom estar aqui hoje para entender melhor as suas prioridades e também para identificar, se possível, novas oportunidades para parceria internacional. Já sabemos que há uma história de cooperação entre a FURG e a Noruega em alguns projetos consolidados, e por isso, estamos felizes de pensar em novas possibilidades para o futuro”, destacou o embaixador.
Memória e apresentação institucional
Em seguida, a comitiva foi conduzida para o Cidec-sul, onde conheceu o Núcleo de Memória Eng. Francisco Martins Bastos (Nume). Na ocasião, o diretor da unidade, Péricles Gonçalves, contou mais sobre a fundação da Universidade, e sua histórica relação com o mar. “Na época, a comunidade lutou muito pela criação da FURG, mas o governo federal ainda via impedimentos para essa instalação, uma vez que a Universidade Federal de Pelotas já existia na cidade vizinha, e, portanto, não se justificava o investimento de uma nova estrutura há menos de 50 quilômetros de distância. Porém, naquele momento, a FURG assumiu a identidade de Universidade voltada para os ecossistemas costeiros e oceânicos, aproveitando a sua proximidade com o mar e o conhecimento tácito da cidade nessa área. Este foi o fator decisivo que nos possibilitou estarmos juntos aqui hoje”, relembrou o professor.
Também acompanharam a atividade a pró-reitora de Inovação e Tecnologia da Informação, Silvia Botelho; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação, Daiane Dias; o secretário de Relações Internacionais, Dariano Krummenauer; e o diretor do Parque Científico e Tecnológico (Oceantec), Samuel Bonato.
No saguão externo, em frente ao Nume, a comitiva teve a chance de interagir com alguns projetos de pesquisa e iniciação tecnológica realizados na FURG, como a empresa Augen, instalada no Oceantec, focada na análise, tratamento e gestão digital da água; e a empresa incubada Planctonauta, que trabalha com aquários ornamentais e criação de medusas.
EMA e projeto Astral
Após uma pausa para o café, o professor do Programa de Pós-graduação em Aquicultura da FURG (PPGAqui), lotado na Estação Marinha de Aquacultura (EMA), Luis Henrique da Silva Poersch, apresentou a capacidade instalada da estação, consolidada como um dos centros de referência mundial na pesquisa com bioflocos para o cultivo de organismos aquáticos.
Nesta mesma linha, o professor do Centro de Ciências Computacionais (C3), Marcelo Pias, apresentou o projeto desenvolvido junto ao Norwegian Research Center (Norce), Astral - All Atlantic Ocean Sustainable, Profitable and Resilient Aquaculture. A pesquisa, de cunho internacional, tem como objetivo potencializar a aquacultura sustentável no Oceano Atlântico, e conta com um investimento de aproximadamente 8 milhões de euros por parte da Comissão Europeia.
A iniciativa combina duas áreas de excelência da FURG, aquacultura e computação inteligente, para o desenvolvimento de novas tecnologias voltadas ao aumento da rentabilidade e a sustentabilidade ao longo de todo o Oceano Atlântico. Liderado pelo centro de pesquisa norueguês, o projeto tem a participação de 17 instituições espalhadas em diferentes países.
Eventos Extremos e Resiliência Climática
Por fim, a comitiva encerrou sua visita no Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos, o CIEX. Recebidos pela coordenadora do projeto, a professora Elisa Fernandes, e sua equipe de bolsistas, os visitantes puderam conhecer as ações realizadas pela FURG em parceria com instituições da região Sul do Estado para tornar o território mais preparado para lidar com eventos extremos.
Durante a apresentação, foram destacados projetos voltados ao monitoramento climático, modelagem de cenários de risco e desenvolvimento de tecnologias aplicadas à prevenção de desastres, temas que dialogam diretamente com os desafios enfrentados globalmente no contexto das mudanças climáticas.
A visita ao CIEX também abriu espaço para o intercâmbio de experiências e metodologias entre os pesquisadores brasileiros e os representantes noruegueses, especialmente no que diz respeito à integração de dados, uso de inteligência computacional e articulação entre ciência e políticas públicas.