No início do mês de dezembro de 2025, o vice-reitor, Ednei Primel, realizou uma reunião junto ao diretor de Territórios Pesqueiros e Ordenamento do Ministério da Pesca e Aquicultura, Cristiano Quaresma – também professor do Instituto de Ciências Humanas e da Informação (ICHI) -, para debater a criação do Observatório do Território da Lagoa dos Patos. A ação representa um marco na relação da FURG com as comunidades pesqueiras da região e fortalece o compromisso da Universidade com o território, ampliando o diálogo direto com pescadoras e pescadores artesanais.
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De acordo com Primel, a iniciativa reforça as relações interinstitucionais da FURG, ao aproximar a instituição tanto do MPA quanto da comunidade pesqueira. “A participação da Universidade nesse projeto aprimora as suas relações e o seu compromisso com o território em que se insere, sobretudo na troca recíproca de conhecimentos e saberes”, comentou o vice-reitor.
Para o diretor, é importante destacar que essa é uma ação que se desdobra a partir de outra iniciativa da Secretaria Nacional de Pesca Artesanal, para apoiar comunidades pesqueiras da Lagoa dos Patos na construção de um protocolo de consulta. “Esse é um instrumento que garante que as comunidades sejam ouvidas sempre que um projeto de desenvolvimento vai ser instalado no seu território. Essa ação, até então inédita, envolve 48 comunidades, o que a coloca como uma das maiores experiências do Brasil nesse sentido”, contextualiza Quaresma.
Após a conclusão do protocolo, no início de 2025, houve, por parte das comunidades participantes um pedido ao MPA para a continuidade desse processo, culminando na constituição de um observatório da Lagoa dos Patos.
Sobre o Observatório
Com o objetivo principal de apoiar pescadores, pescadoras e suas comunidades na organização social, no fortalecimento para construção e avaliação de políticas públicas para o fortalecimento territorial. De acordo com o secretário, a ideia do observatório é gerenciar propostas de fortalecimento da inclusão produtiva, em especial de jovens e de mulheres, em questões como o ordenamento pesqueiro, adaptado para a região e considerando aspectos culturais desse território.
“Por meio dessa atuação, há a valorização dessas comunidades e, a partir disso, a intenção é que se tenha uma nova forma de tratamento dos recursos das comunidades pesqueiras, com maior protagonismo na política social do nosso Estado, especialmente considerando que a Lagoa dos Patos faz parte de uma região muito abrangente, envolvendo diversos municípios que fazem uso dos seus recursos pesqueiros”, completou Quaresma.
Ainda segundo o coordenador, diante dos resultados do protocolo de consulta e do apelo das comunidades, o secretário nacional de Pesca Artesanal viu a possibilidade de apoiar um segundo projeto, e a partir de um diálogo com a reitora Suzane Gonçalves, entendeu-se a importância da FURG para o desenvolvimento de projetos como esse.
“O observatório precisa ser um espaço independente, não propriamente da Universidade, mas, em sua estrutura operacional, a FURG vai ter um papel muito importante na forma como esse projeto será constituído e, por isso, nós fizemos essa reunião para aproximar a gestão administrativa da instituição com o Ministério, no sentido de reforçar os objetivos do observatório, integrar os grupos que estarão envolvidos, e, também, pedir o apoio da FURG nos processos administrativos relacionados ao observatório”, destacou Quaresma.
Durante a reunião, também foi discutida a necessidade de um espaço físico para a instalação do observatório. Outro ponto abordado foi a proposta de implantação de uma unidade móvel para processamento de pescados voltada para as pescadoras artesanais.
“A iniciativa será trabalhada futuramente em parceria com o Ministério da Pesca, com a Prefeitura Municipal de Rio Grande e com a FAURG. Estão previstas apenas duas unidades desse tipo no país, uma delas ficará em Pernambuco e a outra no Rio Grande do Sul, em Rio Grande”, destacou Primel.
O Observatório do Território da Lagoa dos Patos deverá integrar ações de ensino, pesquisa, extensão e inovação, potencializando as atividades pesqueiras locais e promovendo o desenvolvimento sustentável da região. A ação une atores da instituição com notório saber sobre a área, como o Núcleo de Ensino, Pesquisa e Extensão (R)Existências Ambientais e Territoriais (Reat).