Nesta sexta-feira, 17, o Centro Interinstitucional de Observação e Previsão de Eventos Extremos (CIEX), divulgou uma nota técnica que atualiza o cenário de probabilidade de formação do fenômeno El Niño. O documento utiliza como base de dados informações produzidas por centros internacionais de monitoramento climático que indicam que o fenômeno La Niña foi oficialmente encerrado e há uma rápida transição em curso para a formação de um El Niño.
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De acordo com os dados mais recentes, a probabilidade do El Niño estar ativo já entre agosto e outubro chega a cerca de 90%, alcançando até 93% no último trimestre do ano. A transição tem ocorrido de forma acelerada, com aquecimento progressivo das águas superficiais do Pacífico, especialmente nas regiões mais próximas à costa da América do Sul.
Nova metodologia amplia precisão do diagnóstico
Uma das principais mudanças trazidas na atualização do Climate Prediction Center (NOAA/CPC) é a adoção de um novo indicador para monitoramento das condições oceânicas. Tradicionalmente, a intensidade do El Niño e da La Niña era medida pelo Índice Oceânico Niño (ONI), baseado na temperatura da superfície do mar em uma região específica do Pacífico Equatorial.
No entanto, o aquecimento global acumulado nas últimas décadas passou a interferir nesse cálculo, causando a imprecisão de certas leituras. Para corrigir essa distorção, cientistas passaram a utilizar o Índice Relativo Oceânico Niño (RONI), que desconta o aquecimento médio global e permite uma leitura mais precisa das anomalias térmicas.
Com essa nova abordagem, foi possível confirmar que, ao contrário do que o índice tradicional sugeria, os últimos anos ainda apresentavam características de La Niña. Agora, o RONI também aponta com mais clareza o avanço do aquecimento que caracteriza o El Niño.
Risco de evento forte aumenta
As projeções indicam que há mais de 50% de chance de o fenômeno atingir intensidade forte no último trimestre de 2026. Além disso, existe uma probabilidade estimada em 25% de ocorrência de um El Niño muito forte, com anomalias térmicas mais extremas no Pacífico.
Esse cenário é sustentado por fatores como o aquecimento contínuo das águas abaixo da superfície do oceano e a presença de anomalias nos ventos na região equatorial, que favorecem o acúmulo de calor. Caso essas condições persistam ao longo do inverno no Hemisfério Sul, a tendência é de fortalecimento do fenômeno.
Planejamento e prevenção são essenciais
Diante do aumento consistente das probabilidades, reforça-se a necessidade de antecipação nas ações de gestão de risco. Embora previsões climáticas de longo prazo tenham suas limitações, especialmente quanto à distribuição exata das chuvas, o prognóstico atual já oferece base suficiente para medidas preventivas.
É importante que órgãos públicos, Defesa Civil e setores produtivos revisem planos de contingência e preparem a infraestrutura para possíveis eventos extremos. A recomendação é não aguardar a confirmação de episódios críticos para agir, mas utilizar o cenário probabilístico como guia para prevenção e redução de vulnerabilidades.
Também é destacado que o El Niño não atua isoladamente. Outros fatores, como o aquecimento do Atlântico Sul e variações atmosféricas de grande escala, podem intensificar ou atenuar seus efeitos. Por isso, o monitoramento contínuo permanece fundamental.
Confira a nota na íntegra a seguir.