Na noite de 25 de maio, em alusão direta ao Dia da África, integrantes do projeto Ações de Extensão em Educação e Relações Étnico-Raciais (Afroext) realizaram uma imersão formativa voltada aos educadores da Escola Municipal de Educação Infantil (EMEI) Tia Luizinha, localizada no município de Rio Grande-RS. A atividade de extensão buscou qualificar o debate étnico-racial na primeira infância e instrumentalizar o corpo docente para a consolidação de um currículo criticamente antirracista.
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De acordo com a equipe envolvida na ação, o encontro foi marcado por reflexões acerca da história do negro e do racismo na América Latina e no Brasil, bem como pela análise da presença negra no Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS). Como parte prática da metodologia aplicada, a equipe apresentou uma cartografia de materiais pedagógicos e literaturas afro-centradas, propondo caminhos metodológicos para que os docentes insiram de forma permanente essas ferramentas em suas propostas curriculares, atendendo às premissas das Leis nº 10.639/03 e 11.645/08.
O AfroExt atua de maneira descentralizada e interdisciplinar, reunindo em sua estrutura pesquisadores, docentes e discentes vinculados à Universidade Federal do Rio Grande (FURG), à Universidade Federal de Pelotas (UFPel), ao Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas do IFRS Campus Rio Grande (Neabi/IFRS) e ao Museu Virtual Afro-Brasil-Sul, figurando organicamente como um projeto integrante do programa Afroext da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB).
Memória e consciência internacional
Para a coordenação do projeto, a escolha da data para a realização do evento carregou um profundo simbolismo político-pedagógico. O dia 25 de maio marca o Dia da África, efeméride instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1972, em referência à fundação da Organização da Unidade Africana (OUA) no ano de 1963. De acordo com os organizadores, trazer o debate para o chão da escola pública nesta data reafirma a necessidade de reconectar as práticas educativas locais com as lutas globais por direitos humanos e descolonização dos saberes.
Articulação interinstitucional e liderança docente
Para os organizadores, o sucesso e o rigor científico da jornada formativa refletem o caráter coletivo e a sólida articulação interinstitucional que o AfroExt sustenta no extremo sul do país. A liderança e a mediação intelectual do encontro contaram com a participação da professora dra. Bilina Amaral Peres e da professora Lúcia Regina Brito Pereira, referências cuja atuação técnico-científica foi primordial para conectar a pesquisa universitária às urgências da educação básica pública. A cobertura audiovisual desta edição foi assinada pelo fotógrafo Renan Lemos.
A equipe envolvida destaca que, ao promover e registrar ações desse panorama, a FURG e suas instituições parceiras reafirmam seu compromisso ético com a transformação social, a valorização das memórias afro-gaúchas e a construção de políticas afirmativas estruturantes em prol da equidade racial.
Agenda de formações aberta na rede de ensino
Dando continuidade às ações de interiorização e compartilhamento de saberes, a coordenação do projeto informa que o AfroExt está com agenda aberta para receber novos convites de instituições de ensino interessadas em realizar formações pedagógicas antirracistas. As escolas da rede pública e privada da região que desejam construir esses espaços de diálogo e qualificação curricular podem solicitar a participação do grupo para atividades planejadas até o mês de setembro.
O contato para agendamentos, parcerias e consultas de disponibilidade pode ser feito diretamente através do perfil oficial do projeto no Instagram: @afroext053.